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Fundamentos económicos e benefícios de uma taxa sobre a floresta

  Em Portugal a floresta ocupa mais de um terço do território continental, isto é, cerca de 3,3 milhões de hectares, dos quais   56% estão ocupados por espécies que apresentam elevado risco de incêndio: 30% em pinheiro bravo, o que corresponde a 1,1 milhões de hectares, e 26% em eucalipto, o que abrange 0,865 milhões de hectares. A floresta, no seu todo, contribui para cerca de 1,5% do PIB português. Isto implica, se repartirmos esse contributo proporcionalmente à área coberta por cada espécie,   que o pinheiro bravo contribui com 1215 milhões de euros para o PIB, e o eucalipto com cerca de 1053 milhões, o que dá um valor anual de 1225 euros por hectare de eucaliptal, não muito diferente daquele a que chegaríamos se tomássemos   o preço de mercado actual da madeira de eucalipto como ponto de partida. Segundo o   Instituto da Conservação da Natureza e Floresta,   as perdas por incêndios florestais, pragas e invasoras exóticas   ronda...

O sistema monetário europeu na Constituição portuguesa: desajustamentos em relação à realidade e anacronismos

  Vinte cinco anos após a criação do euro, do qual Portugal    foi um dos países fundadores, ainda permanecem na Constituição portuguesa artigos cujo enunciado    contém desajustamentos e anacronismos relativamente ao sistema monetário em que    o país está inserido. A nossa Constituição parece estar isolada neste tipo de falhas, quando a comparamos com as constituições dos principais países da zona euro, o que não deixa de ser indesejável, mesmo que    seja reduzido o risco de    daí    resultar outra legislação que colida com normas da União Monetária Europeia. Merecem atenção, em primeiro lugar,    os artigos 101º    e    102º, que fazem parte do Título IV (Sistema Financeiro e Fiscal),    da Parte II (Organização Económica). O artigo 101º da Constituição tem o seguinte enunciado: “ O sistema financeiro é estruturado por lei, de modo a garantir a formação, a captação e a segurança...

A guerra da Ucrânia, a União Europeia e a tragédia das grandes potências

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  A generalidade das abordagens à guerra da Ucrânia assenta nos   pressupostos   de que o direito internacional e os tratados estão no centro das relações internacionais, e de que a criação de regimes democráticos é suficiente para evitar conflitos entre as grandes potências.   Esta perspectiva,   sustentada entre outros, por Francis Fukuyama da Universidade de Stanford, e autor do blogue American Purpose , atribui a principal causa da guerra da Ucrânia à   existência de um regime despótico na Rússia. Daqui se parte para a conclusão de que a única forma de ajudar a Ucrânia é dar-lhe total apoio militar até que consiga a vitória sobre a Rússia, que consistirá em expulsá-la de todo o seu território. Só que os factos estão a evoluir num sentido que faz com que esse objectivo pareça cada vez mais improvável de alcançar. Daí que seja legítimo questionar-se a capacidade da estratégia baseada neste tipo de argumentação para pôr termo a esta guerra. A esta visão ...

Israel: que futuro para um Estado formado por antigos europeus no Médio Oriente?

  O conflito religioso mais duradouro que atravessou a Europa ao longo dos últimos dois mil anos, foi o que opôs cristãos a judeus.  Este conflito surgiu com o período de estagnação económica  que ocorreu durante   os primeiros séculos do cristianismo, durante o qual a Igreja Católica proibiu aos cristãos o exercício da atividade de concessão de crédito, designada por usura, ficando essa atividade reservada aos mosteiros e aos únicos não-cristãos que na altura viviam na Europa: os judeus, que descendiam de emigrantes vindos da Judeia nos últimos séculos do Império Romano. A Igreja proibia também aos cristãos ou, pelo menos dificultava, o acesso a atividades de comércio e  outras profissões, como o exercício da medicina.  Esta prática tinha como objectivo assegurar a disponibilidade de mão-de-obra necessária à produção agrícola e pecuária, mas tinha o   efeito secundário   de agravar a influência dos factores que dific...

Diálogo sobre a inflação com um um sistema de inteligência artificial

  Depois de levar a cabo dois ou três diálogos com o sistema de inteligência artificial ChatGPT, decidi publicar o último desses diálogos, não pela relevância do tema em si, mas por ter sido aquele em que melhor investiguei a capacidade desse sistema de IA para responder ao contraditório, e de trabalhar ele próprio sobre a informação que tem armazenada, sem se limitar a reproduzi-la de forma mais ou menos embelezada. Verifiquei que esse sistema tem   boa capacidade de mudar a cosmética das respostas, e é muito cortês. Mas, não vai além disso. As minhas perguntas estão a bold e itálico, e as respostas do ChatGPT, em texto normal.   Que resposta dá a teoria da concorrência das moedas, de Hayek, à necessidade de combate à inflação? A teoria da concorrência das moedas, proposta por Friedrich Hayek, defende que a inflação pode ser combatida pelo surgimento de moedas concorrentes ao dinheiro emitido pelo governo, como as moedas virtuais e as moedas privadas. Segundo ...