A guerra da Ucrânia, a União Europeia e a tragédia das grandes potências
A generalidade das abordagens à guerra da Ucrânia assenta nos pressupostos de que o direito internacional e os tratados estão no centro das relações internacionais, e de que a criação de regimes democráticos é suficiente para evitar conflitos entre as grandes potências. Esta perspectiva, sustentada entre outros, por Francis Fukuyama da Universidade de Stanford, e autor do blogue American Purpose , atribui a principal causa da guerra da Ucrânia à existência de um regime despótico na Rússia. Daqui se parte para a conclusão de que a única forma de ajudar a Ucrânia é dar-lhe total apoio militar até que consiga a vitória sobre a Rússia, que consistirá em expulsá-la de todo o seu território. Só que os factos estão a evoluir num sentido que faz com que esse objectivo pareça cada vez mais improvável de alcançar. Daí que seja legítimo questionar-se a capacidade da estratégia baseada neste tipo de argumentação para pôr termo a esta guerra. A esta visão ...